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Esporte no inverno: é possível

Quando cheguei na Alemanha eu era aquela pessoa que tirava fotos dos outros correndo na neve para depois mostrar no Brasil o que os alemães malucos faziam. Até o dia em que eu mesma me tornei essa maluca.

 

Eu nunca fui muito de correr na rua. Eu dava aquela andadinha, tentava uma corridinha, me faltava o ar e eu parava. Correr no inverno então, era uma missão impossível! Desde que cheguei na Alemanha, em 2008, me locomovo muito de bicicleta. Mas até aí eu tinha a minha “regra de inverno”: abaixo de 10 graus, nem pensar!

 

As minhas experiências de esporte no inverno começaram no inverno de 2013/2014. Ganhei de aniversário roupas de esporte para o frio: calça legging forradinha, luvas adequadas e jaqueta quebra vento. Comecei a ir de bicicleta para o trabalho, 15 km por dia. Andar de bicicleta com temperaturas abaixo de 10 graus começou a se tornar normal e minha “regra de inverno” baixou para zero grau.

 

Mas eu ainda não conseguia correr no frio. Na verdade eu não corria nem no verão. Comecei a frequentar a academia por causa de dores nas costas. Diagnóstico médico: musculatura fraca. Na academia comecei a experimentar a esteira. Corridas de 2-3 km aumentaram rapidamente para 5, 8, 10 km. Uau! Nunca tinha corrido tanto assim na vida inteira. Mas na rua? No frio? De jeito nenhum!

 

No início de 2016 aceitei o desafio e me inscrevi junto com duas amigas em uma corrida de rua de 8 km que aconteceria em junho.

A primevera chegou, o tempo melhorou e era hora de começar a treinar para a corrida. Pra mim correr na rua é muito diferente de correr na esteira. O sol está muito quente, o terreno está meio inclinado ou o vento está muito forte. Qualquer desculpa valia para desistir. Mas o dia da corrida estava chegando!

 

Através de uma rede social encontrei um grupo de mulheres que treinavam uma vez por semana para esta mesma corrida que eu queria participar. Me juntei a elas e comecei de cara em um treino de 5 km. Sim, quase morri correndo, mas consegui completar o treino. Fomos aumentando a distância até chegar a 8 km e no dia da corrida arrasamos.

 

Pronto, correr na rua já não era mais problema pra mim. Até 13 km eu tirava de letra. O outono chegou e as temperaturas começaram a baixar. Eu não queria perder o embalo e continuei correndo. No começo, correr no frio era uma atividade bem dolorosa, principalmente para respirar. Quando o ar frio entra nas narinas doe muito. Mas acreditem, é possível se acostumar.

 

Um dos dias mais felizes na minha curta vida de esportista foi quando saí para correr com temperaturas em torno de 2 graus. No meio da corrida começou a chover, mas como estava muito frio, era uma chuva meio neve. E eu lá, com o corpo quente, vendo tudo branquinho a minha volta. O único pensamento que vinha a minha cabeça era “eu estou correndo na neve igual os alemães!”.

 

Consegui passar o inverno correndo, mas diminui bastante a velocidade e a distância por não ter treinado com frequência. O objetivo do próximo inverno é manter uma frequência de treinos contante e treinar com temperaturas abaixo de zero.

 

Dicas para iniciantes

 

Faça aquecimento dentro de casa

 

O ponteiro do termômetro está indicando 3 graus? Faça um aquecimento dentro de casa para não sentir tanto frio no começo da corrida. Eu geralmente subo e desço as escadas do prédio algumas vezes ou faço agachamentos dentro de casa antes de sair.

 

Vista-se adequadamente

 

Muita roupa também atrapalha. Não adianta vestir um casaco de inverno para praticar esportes. Você vai começar a sentir muito calor e vai querer tirá-lo. O mais adequado é usar uma segunda pele por baixo e um agasalho corta-vento. É muito importante proteger as extremidades do corpo: use toca, luvas e meias adequadas.

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O que eu visto com temperaturas de 1 a 10 graus

 

Protetor de orelhas: não gosto de usar tocas, então comprei esse protetor para as orelhas e para a parte frontal da cabeça, que na verdade acho bem feio, mas não tem outro jeito. Aqui na Alemanha você também vai encontrar infinitas opções de tocas para correr.

Blusa segunda pele: uso a blusa segunda pele como blusa normal.

Colete corta vento: para proteger a região peitoral. Você pode usar uma jaqueta corta vento fininha também. Quando ando de bicicleta uso minha jaqueta, mas para correr prefiro ter os braços livres e opto sempre pelo colete.

Faixa no pescoço: para mim é uma peça fundamental. Protege a região do pescoço e evita que o vento frio entre para dentro do colete pela região da nuca. Sem contar que você pode usar a faixa para proteger a região da boa e do nariz, caso precisar.

Luvas: as luvas também são muito importantes para mim. Uso luvas até temperaturas em torno de 20 graus.

Calça legging: não consegui me adaptar a correr com a calça legging forrada, pois sinto muito calor. Então uso ela somente para andar de bicicleta e visto uma legging normal quando corro.

Meias: no inverno uso meias um pouco mais grossas que no verão.

Tênis: uso o mesmo tênis que uso no verão, pois se o calçado for muito fechado meus pés começam a transpirar muito, ficam molhados e eu sinto mais frio ainda. Somente quando está chovendo uso tênis fechados.

Comece devagar

 

Correr no frio exige muito mais do corpo do que a temperaturas mais altas. Tenha objetivos realísticos e comece correndo distâncias mais curtas. Se você acha que só 1 ou 2 km é pouco, mas também não consegue correr por mais tempo, combine a corrida com exercícios aeróbicos dentro de casa.

 

Não intercale a corrida com caminhadas

 

No verão é fácil: se não consegue mais correr, se intercala a corrida com caminhadas. Com temperaturas abaixo de 5 graus não recomendo fazer isto. Principalmente se você estiver suado, você vai sentir muito mais frio caminhando e será ainda mais difícil voltar a correr. Se estiver com dores ou dificuldade de respirar diminua a velocidade, corra bem devagar, mas não comece a caminhar. A não ser claro, que você já esteja quase chegando em casa.

Confesso que demorei muito e foi muito difícil para eu me acostumar a praticar esportes no inverno aqui na Alemanha. Mas agora estou muito feliz de ter rompido a barreira do medo do frio e tomado os primeiros passos.

 

Espero que estas dicas ajudem vocês a calçar os tênis e sair de casa! Mesmo que o termômetro diga para fazer o contrário!

 

 

Autora: Fabíola Testoni

16/02/2017

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