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Homens também podem ser au-pair

O programa de au-pair não é destinado somente para mulheres e neste artigo o Guilherme, que é au-pair na Alemanha, vai contar um pouco da sua história, das suas experiências e de seus planos para o futuro.

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Como foi a reação da sua família e de seus amigos no Brasil, quando você falou que viria para a Alemanha trabalhar de au-pair?

 

Guilherme: Minha família não sabe que sou au-pair, pois desde os 15 anos moro sozinho e não preciso mais dizer tudo que eu quero fazer, além do mais, eu nunca fui tão próximo da minha família. Quando eu decidi vir, não comentei com ninguém. Quando estava tudo pronto eu só avisei pra minha mãe ”mãe, estou indo pra Alemanha”. E ela “que legal! vai fazer o que?”. Eu disse que estava indo trabalhar. E ela “boa sorte”. Meu pai e meus irmãos só souberam quando eu já estava aqui.

 

Você já tinha experiências com crianças antes de trabalhar como au-pair? Quais?

 

Guilherme: Tenho 8 irmãos, então tive uma boa experiência com crianças. Meu pai quase nunca estava em casa e minha mãe trabalhava muito, então eu tive que ajudar a cuidar dos meus irmãos. Meu irmão caçula tem hoje 6 anos de idade. Hoje meus pais são separados e minha mãe mora com meus 4 irmãos menores que tem: 6, 8, 10 e 11 anos.

 

Como foi o processo para encontrar uma família hospedeira?

 

Guilherme: Quando eu decidi ser au-pair criei meu perfil no au-pairworld.com e mandei cerca de 20 aplicações no mesmo dia. No dia seguinte eu tive duas respostas positivas e umas quatro negativas. Dessas duas positivas, uma era da minha atual família hospedeira. Todos os dias ela mandava uma mensagem imensa e eu respondia com outra mensagem imensa. Ficamos assim por quase duas semanas. Conversamos quatro vezes por skype: uma só com a mãe, uma com a mãe e o pai juntos e outras duas vezes com as crianças. Até que decidimos fechar! A outra família? Acabei recusando, pois gostei mais dessa que fechei. Acho que é importante ressaltar que todo meu processo foi em alemão, já que foi um dos motivos de a família ter dado preferência a mim.

 

Você achou que teve dificuldades para encontrar uma família pelo fato de ser homem?

 

Guilherme: Não tive nenhuma dificuldade. Aqui na Alemanha, por sorte, não tem a mesma malícia que no Brasil de homens não fazererem coisas que mulheres fazem, ou vice e versa. Eu troco fraldas da menina e do menino sem problemas e faço tudo, como se eu fosse um irmão mais velho das crianças, o que me faz me sentir mais a vontade. Já acho que no Brasil seria totalmente diferente! Eu teria muito mais pressão das pessoas, isso se eu encontrasse uma família que me aceitasse. Só pelo fato de eu ser manicure e chefe de cozinha, já sou "gay", nos olhos dos brasileiros (o que não é verdade! Estou em busca da minha amada).

 

Você já sofreu algum tipo de preconceito aqui na Alemanha por estar trabalhando como au-pair?

 

Guilherme: Como eu disse na resposta anterior, a situação aqui na Alemanha é bem diferente, não tem essa malícia de homem com serviço de mulher, ou mulher com serviço de homem. Serviço é serviço e faz quem quer, ou quem tem capacidade. Além disso minha família me trata tão bem, que eu me sinto realmente como parte da família deles.

 

Como é sua rotina com a família?

 

Guilherme: Minha rotina oficial é cuidar das duas crianças 6 horas por dia, de segunda à sexta. E isto inclui trocar fraldas dos dois, auxiliar na hora de alimentar, cuidar deles enquanto eles brincam e, por fim, tirar e colocar as louças na máquina de lavar louças. Os pais das crianças são muito legais pra mim e me ajudam em tudo! E como a casa é muito grande e há muito o que fazer na casa, eu ajudo em outros deveres da casa também, como aspirar, passar o pano, lavar louças e cozinhar. Faço o que estiver no meu alcance. Não me sinto pressionado a nada e, além disso, eles sempre agradecem por tudo que eu faço.

 

Quais foram para você as maiores dificuldades quando você chegou na Alemanha?

 

Guilherme: Não sei se eu tive dificuldades (a gente sofre tanto no Brasil, que as dificuldades aqui nem se comparam!). Eu já cheguei aqui falando alemão, o que foi uma vantagem, pois eu não tive obstáculos pra ir onde eu queria ou fazer o que eu queria. Em tudo que eu quis fazer minha família me ajudou, vendo preços de passagens, melhores caminhos, etc. Quando precisei de remédios minha família comprou pra mim. E pra fechar essa questão: amo o frio. Então je kälter, desto glücklicher (quanto mais frio, mais feliz eu fico).

 

Você tem alguma dica especial para meninos que queiram trabalhar de au-pair na Alemanha?

 

Guilherme: Se eu for dar dicas eu direi sempre o mesmo que sempre falo: estude alemão! Esse é o idioma falado aqui! Quer vir falar inglês? Venha tirar férias. Quer vir ser au-pair? Venha falando alemão. Esse foi um dos motivos de eu ter sido preferência pra família. Não importava o quão errado eu escrevia, ou quão devagar ou errado eu falava. Eles mesmos me falaram: "foi legal ver você se esforçando pra falar nossa língua, e foi um dos motivos de ter te escolhido."


Outra dica: não se deixe pensar que é inferior, somente por ser homem, aqui não tem essa! Mostre seus pontos positivos e diga o que pra você é básico pra se alcançar nesse um ano que você vai ficar com a família. E por último, mas não menos importante: não desista se o processo parecer pesado. Só eu sei o que passei nos últimos meses antes de vir. Não desisti por um triz.

 

Quais os seus planos pra depois que terminar o programa de au-pair?

 

Guilherme: Eu quero morar aqui! Nunca ouvi falar de outro país com a segurança, educação e possibilidades que esse país oferece. Criei meus planos A, B e C:

  • A: Vou tentar fazer um Ausbildung (curso técnico) de mecatrônica para aviões na administradora de aviões de Frankfurt, a Fraport (Frankfurt Airport).

  • B: Caso, por algum motivo,o curso técnico não dê certo , vou mandar meu currículo para companhias aéreas para trabalhar como comissário de bordo, tenho preferência na Lufthansa.

  • C: Caso isto também não dê certo, vou tentar trabalhar de voluntário por um ano, pra ter mais tempo de planejar.

Eu não me vejo pessimista, só estou preparando cartas na manga, pra qualquer possibilidade que eu tiver. Uma empresa de elétrica pediu meu currículo, o que aumenta as minhas possibilidades de ficar aqui. Agora só ir devagar correndo atrás dos processos pra alcançar meus próximos objetivos. O segredo é não parar de correr atrás.

 

 

Eu adorei conhecer o Guilherme e espero que esta entrevista sirva de inspiração para mais meninos virem trabalhar de au-pair aqui na Alemanha!

 

Você também é au-pair na Alemanha? Ou conhece meninos que trabalham de au-pair aqui? Deixe seu comentário abaixo!

 

Autora: Fabíola Testoni

09/01/2017

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Nome, idade: Guilherme Alexandre Melo, 22 anos

 

Cidade natal: Curitiba

 

Cidade atual: Flörsheim am Main

 

Cuida de 2 crianças: uma menina de 2 anos e um menino de 11 meses

 

Últimas profissões no Brasil antes de vir pra Alemanha: encarregado e artífice de manutenção no Conselho Regional de Medicina do Estado do Rio de Janeiro e chefe de cozinha.